RO
emPautaPortal de Notícias
24°C☀️
DESTAQUES:
Brasil

EUA tratam Brasil como “país X” e “Equador” em proposta para terras raras

Documento oficial dos EUA tratou Brasil como "Equador" e "país X" em proposta de cooperação sobre terras raras, gerando atrito diplomático.

RO
Redação RO em PautaCom base em informações de CNN Brasil
EUA tratam Brasil como “país X” e “Equador” em proposta para terras raras
Foto: Reprodução

Um documento oficial dos Estados Unidos, que propunha cooperação em minerais críticos e terras raras, identificou erroneamente o Brasil como "Equador" e "país X" em seu texto. A revelação, obtida pelo CNN Brasil, vem à tona em um cenário de discussões travadas e ameaças tarifárias, sugerindo uma percepção de desinteresse por parte de Washington em estabelecer uma parceria mais profunda com o gigante sul-americano.

A proposta, encaminhada a Brasília pelo Departamento de Estado americano em janeiro, continha trechos com a expressão "country X", que foi posteriormente rasurada e substituída por "Brazil", além de uma passagem onde o nome do Brasil foi inadvertidamente trocado pelo do Equador. Negociadores brasileiros interpretaram esses lapsos como um sinal claro da pouca disposição do governo Trump em fomentar uma colaboração mutuamente benéfica, especialmente considerando que o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.

No governo Lula, a avaliação é de que o Departamento de Estado utilizou um método de "copia e cola" na elaboração das propostas, falhando em reconhecer as particularidades e a importância estratégica de cada nação. Além disso, um ponto de forte crítica por assessores presidenciais foi a natureza "não vinculante" do memorando proposto pelos americanos. Isso significa que o acordo careceria de validade jurídica, não precisando ser incorporado às leis domésticas ou normas internacionais, o que o tornaria apenas um potencial instrumento de pressão, e não um compromisso formal.

Em um caminho paralelo, o Itamaraty havia iniciado conversas com o Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), buscando um diálogo mais técnico e aprofundado, incluindo a possibilidade de estabelecer preços mínimos para o fornecimento de terras raras. No entanto, essas negociações perderam força após a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth. A transação, avaliada em US$ 2,8 bilhões e anunciada em abril, envolveu a única produtora de terras raras do Brasil, localizada em Minaçu (GO), que firmou um contrato de fornecimento exclusivo de 15 anos para o mercado dos EUA, o que, para funcionários brasileiros, diminuiu o ímpeto americano por um acordo mais amplo.

Diante desses fatos, o cenário atual reflete uma desaceleração no avanço das discussões entre os dois países. A embaixada dos Estados Unidos em Brasília, procurada pelo CNN Brasil, não se manifestou até o momento, reforçando a percepção de que, com a garantia de suprimento através da Serra Verde, o interesse dos EUA em um pacto formal com o Brasil para terras raras pode ter diminuído consideravelmente.