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Acidente da Voepass: “Ufa, chegamos vivos”, disse piloto em voo anterior

Revelações da caixa-preta do voo 2283 da Voepass chocam familiares e Polícia Federal aponta para indiciamentos criminais quase dois anos após a tragédia.

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Redação RO em PautaCom base em informações de CNN Brasil
Acidente da Voepass: “Ufa, chegamos vivos”, disse piloto em voo anterior
Foto: Reprodução

Familiares das 62 vítimas do trágico acidente com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em agosto de 2024, tiveram acesso, pela primeira vez, a trechos impactantes das gravações da cabine de comando da aeronave. Em uma reunião crucial com investigadores da Polícia Federal em Campinas, realizada na última terça-feira (30), foi confirmada a iminência de indiciamentos criminais, marcando um ponto de virada na apuração que se estende por quase dois anos.

Entre as revelações que mais abalaram os presentes, destaca-se uma fala atribuída a um dos pilotos em um voo anterior, que ligava São Paulo a Cascavel. Após o pouso, ele teria proferido: “Ufa, chegamos vivos”. Outro momento tenso exibido aos parentes mostra um piloto expressando frustração com o sistema da aeronave, afirmando que ele “não funcionava”. Estas transcrições, parte do material sigiloso da investigação, foram apresentadas como cumprimento de um compromisso da PF em manter as famílias informadas antes da divulgação pública do relatório final.

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O advogado Luciano Katarinhuk, que representa a associação das vítimas, confirmou à CNN Brasil que o encontro foi permeado por forte emoção e trouxe detalhes inéditos. Segundo ele, a Polícia Federal apresentou um laudo técnico de mais de 200 páginas, indicando que a conclusão do inquérito está próxima. A expectativa é que, nos próximos 30 dias, o processo seja finalizado e encaminhado ao Ministério Público Federal para as devidas ações.

Investigação Abrangente

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As investigações não se restringem aos tripulantes da aeronave. Conforme apuração da CNN Brasil e informações do representante das vítimas, a apuração aponta para a responsabilização criminal de outras figuras além do comandante e copiloto. Entre os que podem ser indiciados estão profissionais da equipe de manutenção do avião, despachantes operacionais e outros indivíduos envolvidos na cadeia de decisões que autorizaram a decolagem. A associação de familiares também defende que antigos executivos da companhia aérea sejam responsabilizados.

A Polícia Federal informou que novas oitivas serão realizadas, e pessoas que inicialmente depuseram como declarantes agora serão ouvidas na condição de investigadas. Paralelamente à PF, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também prepara seu relatório técnico sobre o acidente. O órgão, ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), indicou aos familiares que a publicação deve ocorrer ainda em julho, embora sem uma data oficial confirmada.

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O voo 2283 da Voepass, um ATR 72-500, caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024, resultando na morte de 62 pessoas. Este foi o quinto pior acidente envolvendo um ATR 72 e o maior na aviação comercial brasileira desde 2007. A aeronave, que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), tinha a formação de gelo nas asas como uma das hipóteses iniciais levantadas por especialistas para a queda. Os desdobramentos atuais prometem trazer mais clareza e, esperançosamente, justiça às famílias enlutadas.

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