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Principais rios de Rondônia estão próximos da menor cota histórica para o período

Rios de Rondônia atingem níveis criticamente baixos, próximos de mínimas históricas, com o governo declarando estado de emergência.

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Redação RO em PautaCom base em informações de G1 Ji-Paraná
Principais rios de Rondônia estão próximos da menor cota histórica para o período
Foto: Reprodução

Rondônia se encontra em um cenário hídrico alarmante, com seus principais rios registrando níveis significativamente abaixo da média para o período e se aproximando das mínimas históricas. A situação levou o governo estadual a decretar estado de emergência já no início de julho, um reflexo direto da estiagem severa que assola a região, intensificada pelos remanescentes do fenômeno El Niño.

Conforme dados da Defesa Civil do estado, sete importantes cursos d'água – Candeias, Guaporé, Jamari, Mamoré, Machado, Madeira e Pirarara – apresentam cotas preocupantes. Em comparação com o mesmo período de 2023, ano em que o Rio Madeira atingiu seu menor nível já registrado, os patamares atuais são ainda mais baixos. O Rio Madeira, em Porto Velho, por exemplo, marcava 3,32 metros em 16 de julho de 2024, contra 5,30 metros na mesma data do ano anterior, segundo informações da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam). Enquanto o Rio Candeias, que corta Candeias do Jamari, já opera abaixo de sua cota mínima histórica de 10,48 metros, outros como o Mamoré, em Guajará-Mirim, e o Machado, em Ji-Paraná, estão a menos de 10 centímetros de atingir suas mínimas absolutas para a temporada, conforme reportagem do G1 Ji-Paraná.

A escassez hídrica é agravada pela ausência de chuvas. O Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico da Sedam revela que estações em cinco cidades rondonienses com rios em baixa registraram 0,0 mm de precipitação acumulada em julho. Em Guajará-Mirim, os 11 mm registrados nos primeiros 12 dias do mês representam 58% abaixo da média, enquanto Porto Velho acumulou apenas 8 mm, correspondendo a meros 27% do esperado para o período. A previsão do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônica (Censipam) não é animadora, indicando muito sol, pouca nebulosidade e ausência de chuvas para os próximos dias em todo o estado.

Causas da Estiagem e Perspectivas Futuras

A drástica redução nos níveis dos rios é atribuída principalmente aos efeitos do El Niño, que tradicionalmente inibe a formação de nuvens e, consequentemente, as chuvas na região Norte do Brasil. Outro fator de preocupação apontado por especialistas é o aquecimento do Atlântico Norte. Embora o fenômeno La Niña comece a se manifestar no Pacífico Equatorial entre julho e setembro, seus efeitos sobre o clima de Rondônia devem ser percebidos apenas mais próximo do final de 2024.

Diante do quadro, o impacto já se reflete na gestão pública. Além dos oito municípios que já estavam em emergência no início de 2024 devido à estiagem, o Governo Federal reconheceu a mesma situação para outras 12 cidades em 19 de julho. Especialistas do Censipam alertam que a seca de 2024 deve ser ainda mais severa que a do ano passado, intensificando os desafios para a população e a economia local, que depende fortemente dos rios para transporte e geração de energia.