O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (1º) que teve como alvos indivíduos associados ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Na decisão, Dino apontou um esquema de dissimulação de desvios de recursos públicos por meio de pessoas jurídicas, mencionando saques em espécie que, segundo as investigações, podem alcançar a soma de R$ 15 milhões.
A apuração, conforme reportagem do CNN Brasil, decorre de uma operação anterior, realizada no final do ano passado, quando o próprio parlamentar foi alvo de busca e apreensão, resultando na descoberta de aproximadamente R$ 500 mil em sua posse. O analista de Política Matheus Teixeira, da CNN, esclareceu que a menção aos R$ 15 milhões refere-se a movimentações de empresas ligadas ao deputado, e não necessariamente a valores diretamente atribuídos a Sóstenes Cavalcante.
A justificativa apresentada pelo deputado para a origem dos R$ 500 mil — a venda de um imóvel — foi contestada pelo ministro Flávio Dino. A investigação revelou que a transferência de propriedade do bem foi registrada imobiliariamente quase um mês após a primeira operação, levantando suspeitas sobre a veracidade da alegação. A operação desta quarta-feira, batizada de "Rent a Car", teria origens em suspeitas de desvio de cotas parlamentares destinadas ao aluguel de veículos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à ação, corroborando que o montante em espécie encontrado com o deputado carece de comprovação documental idônea para justificar sua origem lícita. Por sua vez, Sóstenes Cavalcante nega veementemente todas as acusações, afirmando que não há qualquer irregularidade em suas atividades.
Sóstenes Cavalcante é uma figura proeminente no Partido Liberal (PL) e detém considerável influência na Câmara dos Deputados, mantendo diálogo tanto com a oposição quanto com parlamentares do governo e do Centrão, tendo sido inclusive cogitado como candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. As ações investigativas do ministro Flávio Dino, especialmente no âmbito das emendas parlamentares, têm gerado tensões crescentes entre o Poder Judiciário e o Congresso Nacional, com parlamentares frequentemente expressando preocupação com o que consideram uma "criminalização da política".



