A indústria dos Estados Unidos observou uma retração nas novas encomendas durante o mês de maio, um movimento atribuído primariamente à significativa redução nos pedidos de aeronaves comerciais. Contudo, a demanda em outras áreas da economia demonstrou robustez, impulsionada, em parte, pelos investimentos crescentes em inteligência artificial, conforme detalhado em relatório do Departamento de Comércio americano nesta quinta-feira (2).
Os pedidos industriais apresentaram uma queda de 1,3% em maio, sucedendo um expressivo aumento de 5,3% registrado em abril, dado que foi revisado para cima. Este resultado ficou aquém das projeções de economistas consultados pela Reuters, que antecipavam uma diminuição de 1,8% nas encomendas, após um crescimento de 4,8% divulgado anteriormente para o mês de abril. Apesar da queda mensal, o setor mostrou um avanço de 5,1% em maio na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A principal força motriz por trás da desaceleração foi o segmento de aeronaves comerciais, que viu seus pedidos despencarem 51,8% em maio, revertendo o forte salto de 167,4% de abril. A fabricante Boeing, por exemplo, informou ter recebido 27 encomendas de aeronaves em maio, um número consideravelmente menor em relação às 136 unidades registradas no mês anterior.
Em contraste, o setor manufatureiro, que representa 9,4% da economia norte-americana, continua a ser beneficiado pela expansão dos gastos em inteligência artificial. Esse impulso tecnológico ajudou a mitigar o impacto negativo de tensões geopolíticas, como a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, conforme aponta a CNN Brasil. Pedidos de computadores e produtos eletrônicos subiram 0,2% em maio e 13,0% em relação ao ano anterior. O maquinário registrou um acréscimo de 2,1%, e houve aumentos consideráveis em metais primários e produtos metálicos manufaturados. Embora os pedidos de equipamentos elétricos, eletrodomésticos e componentes tenham recuado 0,3% no mês, eles cresceram 6,2% anualmente.
O Departamento de Comércio também atualizou os dados para bens de capital não relacionados à defesa, excluindo aeronaves — um indicador chave dos planos de investimento das empresas em equipamentos. Este segmento avançou 1,4% em maio, ligeiramente abaixo da estimativa inicial de 1,6% da semana passada, sinalizando uma cautela, mas ainda um crescimento nos investimentos corporativos, que complementam o cenário de resiliência impulsionada pela inovação tecnológica.



