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Setor produtivo sofre mais danos com o tarifaço, diz especialista

Especialista alerta que novas tarifas dos EUA ameaçam cadeias produtivas brasileiras, com danos econômicos superando embates políticos.

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Redação RO em PautaCom base em informações de CNN Brasil
Setor produtivo sofre mais danos com o tarifaço, diz especialista
Foto: Reprodução

As recentes discussões sobre a imposição de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros representam uma ameaça substancial às cadeias produtivas do país, conforme análise de José Pimenta, renomado colunista do CNN Money. O especialista enfatiza que o ponto mais crítico não reside nas disputas políticas entre figuras como Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sim nas repercussões concretas que essas barreiras comerciais podem acarretar para a indústria nacional.

Pimenta, em entrevista à CNN Brasil, reconhece a dificuldade de dissociar as negociações comerciais do cenário político atual. Ele relembrou o impacto internacional da guinada de popularidade do presidente Lula no ano passado, impulsionada por um discurso de soberania. Contudo, o analista alerta que, a poucos meses de uma eleição nos Estados Unidos, qualquer decisão tarifária tende a ser instrumentalizada politicamente, com a narrativa sendo utilizada tanto pela situação quanto pela oposição.

A dimensão mais prejudicial, segundo o especialista, transcende o embate político. Setores que vierem a enfrentar uma tarifa de 25% — e que podem ver esse percentual ultrapassar 30% em investigações mais aprofundadas — terão severas dificuldades para manter suas exportações para o mercado norte-americano. Ele ressalta que o impacto será profundo sobre as cadeias produtivas desenvolvidas e consolidadas ao longo de quatro décadas, que diariamente abastecem o comércio B2B (business to business) e, por fim, chegam ao consumidor final dos EUA.

Entre os segmentos mais vulneráveis, Pimenta citou o café solúvel, madeira, móveis, máquinas e equipamentos. O especialista ainda alerta para o efeito cascata que atingirá os próprios consumidores americanos, que deverão arcar com o repasse inflacionário em um contexto onde a inflação já se mostra robusta em diversos setores da economia dos Estados Unidos. A interrupção dessas cadeias de alto nível, construídas de forma complementar, pode gerar um revés extenso e duradouro para o comércio internacional.