O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) felicitou Keiko Fujimori pela sua eleição à presidência do Peru, em um comunicado divulgado na sexta-feira, 3 de julho de 2026. Através de sua conta oficial na plataforma X (antigo Twitter), o líder brasileiro expressou votos de sucesso para o mandato da nova presidente, enfatizando a relevância de unir o povo peruano em torno de um projeto comum de desenvolvimento e reforçando os laços entre as nações.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, foi confirmada como vencedora de uma disputa acirrada contra o deputado de esquerda Roberto Sánchez. Esta vitória representa um triunfo significativo para a política peruana, marcando o fim de uma série de três derrotas consecutivas em segundos turnos para a candidata de direita. Apesar das diferenças ideológicas, Lula prontamente manifestou a disposição do Brasil em aprofundar a relação bilateral.
Em sua mensagem, o presidente Lula ressaltou que o Peru é um "país irmão" com o qual o Brasil compartilha uma extensa fronteira e laços humanos profundos. Ele afirmou que o Brasil está preparado para avançar em uma agenda bilateral ambiciosa, que inclui a ampliação do comércio e investimentos, a integração de infraestrutura logística e digital, o combate à fome e à pobreza, a proteção da Amazônia e a luta contra o crime organizado transnacional. O objetivo final é construir uma América do Sul mais próspera, integrada, democrática e soberana.
Mudança na Estratégia Diplomática Sul-Americana
Os cumprimentos de Lula à nova presidente peruana ocorrem em meio a uma reorientação da política externa brasileira na América do Sul. Conforme apurado pela CNN Brasil, o governo federal tem ajustado sua abordagem diante do avanço de líderes de direita no continente, priorizando as relações bilaterais em detrimento de fóruns internacionais que estariam perdendo relevância.
A diplomacia brasileira percebe um "pragmatismo" nos novos líderes regionais, o que abre espaço para uma atuação mais focada e direta. Exemplificando essa tendência, Abelardo de la Espriella, o novo presidente de direita da Colômbia, respondeu de forma amistosa a uma mensagem de felicitação de Lula, destacando a união entre os povos e a busca por objetivos comuns que transcendem ideologias. Outros líderes que demonstraram essa postura pragmática incluem José Antonio Kast, presidente do Chile, Rodrigo Paz, presidente boliviano, e Daniel Noboa, mandatário da Colômbia. Lula inclusive se reuniu bilateralmente com Kast e Paz durante a cúpula do Mercosul nesta semana.
A única exceção a essa estratégia de aproximação, conforme diplomatas brasileiros, é o presidente da Argentina, Javier Milei. Desde que o direitista assumiu o poder, o Brasil observa um distanciamento nas relações bilaterais com o vizinho, com o governo argentino priorizando a interação com figuras como o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), o que contrasta com a busca por uma maior integração regional.



