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Agronomia

Cooperativas agrícolas dobram participação no PIB do agronegócio

Cooperativas agrícolas brasileiras quase dobram sua fatia no PIB do agronegócio em cinco anos, alcançando 15,4% em 2024, em meio a desafios do setor.

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Redação RO em PautaCom base em informações de CNN Brasil
Cooperativas agrícolas dobram participação no PIB do agronegócio
Foto: Reprodução

As cooperativas do agronegócio no Brasil consolidaram-se como um pilar de resiliência e crescimento, expandindo significativamente sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) do setor. Um levantamento recente da L.E.K. Consulting revelou que a presença dessas organizações saltou de 8,1% em 2019 para notáveis 15,4% em 2024, representando um aumento de aproximadamente 90% em apenas cinco anos.

Este avanço notável ocorre em um período de turbulência econômica para o campo, marcado pela reversão dos preços das commodities, um aumento expressivo na inadimplência rural e dificuldades financeiras enfrentadas por diversas revendas de insumos. Conforme análise do CNN Brasil, o cenário de crédito ligado ao agronegócio viu sua taxa de inadimplência, historicamente próxima de 3%, escalar para cerca de 15% — um patamar superior ao registrado na crise de 2016 e 2017, segundo Eric Emiliano, sócio da L.E.K. Consulting. Ele aponta que produtores encararam duas safras consecutivas onde custos superaram as receitas.

A fragilidade do modelo de financiamento tradicional, onde revendas de insumos frequentemente atuavam como bancos, ficou exposta. Empresas como AgroGalaxy, Lavoro e Belagrícola, por exemplo, iniciaram processos de recuperação judicial ou extrajudicial. Nesse vácuo, as cooperativas se destacaram, ampliando a oferta de crédito, o sistema de barter (troca de insumos por produtos agrícolas), assistência técnica e um leque completo de serviços aos seus associados. Bruno Brandi, senior manager da consultoria, sublinha que as cooperativas criam um "ecossistema completo", abrangendo financiamento, compra, armazenamento e comercialização, o que fortalece o relacionamento e mitiga riscos.

A resiliência dessas organizações, que se mostra relevante para estados com forte vocação agrícola como Rondônia, deriva da diversificação de suas receitas e da capacidade de agregar valor em múltiplas etapas da cadeia produtiva. Capitalizadas após um período de expansão, as cooperativas direcionam seus investimentos para quatro frentes estratégicas: industrialização, entrada no setor de biocombustíveis, expansão geográfica e aquisições de ativos de empresas em dificuldades. A industrialização, por exemplo, permite maior valor agregado aos produtos, enquanto a expansão territorial mira mercados com grande potencial e menor penetração cooperativista, como o Centro-Oeste e Sudeste do país, onde Rondônia se insere indiretamente por sua conexão com o Centro-Oeste.

O movimento estratégico das cooperativas sinaliza uma transformação profunda no financiamento e na estrutura do agronegócio brasileiro. Ao diversificar suas operações e fortalecer o suporte aos produtores, elas não apenas garantem sua própria estabilidade, mas também oferecem um modelo de desenvolvimento mais robusto e integrado para o setor como um todo, com perspectivas de crescimento contínuo e consolidação de mercado nos próximos anos.